domingo, 28 de setembro de 2014

Atualização do meu site: Proteção e Segurança Radiológica

Caros amigos depois de algum tempo resolvi atualizar meu site fazendo várias modificações nele, procurando adequá-lo melhor  as mudanças que a área de Tecnologia em Radiologia vem sofrendo e dando um melhor dinamismo aos assuntos técnicos que sempre foram o foco e motivo principal da ideia de sua criação.

Nesta nova fase do site algumas mudanças foram executadas. 

Primeiro, dei um título para ele PROTEÇÃO E SEGURANÇA RADIOLÓGICA. O motivo disto é que acredito que as áreas de proteção e segurança são o grande diferencial para a capacitação dos tecnólogos em radiologia. A meu ver é inegável a adequação de nossa formação para atuação neste segmento de mercado.

Segundo, dividi o site em duas grandes áreas. Uma chama TÓPICOS onde busquei divulgar vários assuntos que fazem parte da formação e da capacitação do Tecnólogo em Radiologia, diferenciando-o de outros profissionais no mercado de trabalho. Sinceramente creio que nenhum outro profissional possui em sua formação acadêmica acesso a todos estes temas como os Tecnólogos em Radiologia.  A outra área chamei de TRABALHOS PRODUZIDOS e nela disponibilizo quase a totalidade dos trabalhos que tenho produzido até aqui. Estão lá minha Dissertação de mestrado, monografia de pós graduação, minicursos, artigos, palestras e material de apoio para estudo.

A exceção ficou com minhas NOTAS DE AULA que mantive destacada, como na versão anterior do site, na parte superior de todas as páginas, visando manter inalterado o acesso e localização destas notas por quem assim desejar.  

Uma das principais mudanças que mencionei acima está na tentativa de criação de um espaço para que outros tecnólogos e alunos de tecnologia em radiologia se animem a escrever e produzir textos. Na página ARTIGOS estou abrindo um espaço para os Tecnólogos e graduandos que assim desejarem, divulgarem seus conhecimentos técnicos através de artigos livres. 

Estes artigos seriam disponibilizados, em princípio com periodicidade mensal, nesta página em formato PDF e haveria citação dos autores conforme os mesmos estabelecessem. Estabelecerei duas regras básicas: os textos serão avaliados por mim quanto a relevância do tema antes de serem disponibilizados e não pode haver dúvida quanto a autoria do texto.

Quem desejar participar deve me enviar o texto em formato .DOC e não em formato .DOCX, para que possa converte-lo adequadamente em PDF.

Outra mudança que vale destacar foi uma maior enfase em temas vinculados a área de industria, pois tenho notado que começa a haver um espaço maior para a nossa atuação e não estamos buscando este espaço. Muito se deve a falta de informação ou ignorância de muitos que deveriam divulgar esta área aos graduandos e os recém formados Tecnólogos em Radiologia e não o fazem.

Ainda encontro vários colegas que ao invés de estimular a busca por este espaço, desestimulam os alunos ou recém formados a lutar por ele. Muito em função disto na página RADIOLOGIA INDUSTRIAL  disponibilizo algumas informações de como caminhar nesta área, como por exemplo se cadastrar no CIEE - Centro de Integração Escola Empresa.

Caros gostaria bastante de um retorno de vocês sobre as modificações que realizei no site e principalmente sobre a aceitabilidade da ideia dos  ARTIGOS LIVRES

Espero que gostem das modificações e que o meu site continue a ser um instrumento de divulgação de ideias e informações técnicas úteis da área de Tecnologia em Radiologia.

Um grande abraço





sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Identificação de materiais radioativos pelo método de espectrometria de fótons com detector cintilador



1. Introdução



Identificar um material ou agente radiológico é de grande importância para as diversas atividades envolvendo o uso de radiações ionizantes. Conhecendo o material é possível definir a maneira adequada de manuseá-lo pois saberemos o tipo de radiação que ele emite, bem como sua forma física e química, seu tempo de meia-vida (T1/2) entre os informações importantes. A identificação destes materiais é feita através da análise e determinação do espectro de energia discreta que o material radioativo é capaz de emitir. Na grande maioria das vezes, este espectro de energia é obtida através da técnica de espectrometria de fótons podendo ser utilizados detectores semicondutores ou cintiladores inorgânicos.

Aqui analisaremos a utilização de detectores cintiladores para a realização da técnica de espectrometria de fótons. O motivo desta escolha é em função destes detectores poderem trabalhar a temperatura ambiente, terem alta eficiência de detecção, uma resolução que propícia a identificação em instalações abertas e poderem ser construídos de forma compacta, portátil e transportável para uso em diversos ambientes.

Os identificadores radiológicos portáteis são largamente utilizados para diversos fins como:
  • Segurança radiológica em grandes eventos;
  • Busca de fontes radioativas extraviadas;
  • Avaliação de emergências radiológicas e nucleares;
  • Avaliação de cargas em portos, aeroportos e fronteira.


2. Propriedade dos cintiladores inorgânicos


A detecção de radiações ionizantes pela cintilação, produzida em determinados materiais, é uma das técnicas mais antigas registradas. Detectores baseados nestes materiais possuem elevada eficiência de cintilação, conversão linear da quantidade de energia em luz, tempo de decaimento da luminescência curto para a geração rápida de pulsos, meio transparente e índice de refração próximo ao do vidro permitindo o acoplamento do cristal com o tubo fotomultiplicador (Knoll, 2000).

O mecanismo de cintilação em materiais inorgânicos depende dos estados de energia da rede cristalina do material. Num cristal cintilador puro, a energia da radiação incidente absorvida é cedida aos elétrons da banda de valência, sendo estes excitados para a banda de condução. Entre essas bandas existe uma faixa intermediária de energia chamada de banda proibida, na qual não há estados possíveis e, portanto, não se encontram elétrons. O retorno do elétron para a banda de valência com a emissão de um fóton representa um processo ineficiente de cintilação, pois as diferenças energéticas são tais que o fóton resultante possui uma energia muito alta e não se enquadra na faixa do visível. Como resultado desse processo, o cristal apresenta-se opaco à sua radiação de cintilação (Lima, 2006).

A adição de pequenas quantidades de impurezas ou material ativador (no caso do NaI é usado o Tálio) cria níveis de energia na banda proibida. Criados pelo elemento ativador na banda proibida, eles permitem a desexcitação de um elétron da banda de condução para a banda de valência, com a emissão de fótons com comprimento de onda (410 mm), o que corresponde à luz do espectro visível. O cristal é basicamente transparente para esses fótons, que assim alcançam o fotocatodo do tubo fotomultiplicador, que possui boa sensibilidade à cintilação dessa luz visível (Lima, 2006).


2.1. Resolução em energia


Relaciona-se com a capacidade do detector de cintilação em discriminar a energia de dois fótons emitidos com energias diferentes em seu volume útil. A resolução de um detector é determinante em sua capacidade de medir a distribuição de energia da radiação incidente e é convencionalmente definida como a razão entre a largura à meia altura do pico (FWHM) e o valor do canal central da distribuição do pico (H0).

A resolução em energia típica de detectores cintiladores inorgânicos cilíndricos de NaI(Tl) para a energia do fóton gama emitido por uma fonte de 137Cs (661,62 keV) é cerca de 6 a 7%.


2.2. Eficiência de detecção


Caracteriza a capacidade do detector em registrar os fótons emitidos por uma fonte de radiação ou que incidem na superfície de um detector. O tamanho e a forma do cristal influenciam a eficiência de detecção, sendo que a espessura do cristal cintilador na direção da trajetória do fóton incidente tem maior influência. A eficiência de um detector pode ser classificada como absoluta e intrínseca.

A eficiência absoluta é dada pela razão entre o número de partículas ou fótons detectados e o número de partículas ou fótons emitidos pela fonte de radiação. Esta eficiência sofre influência da geometria de medição utilizada.

A eficiência intrínseca é dada pela razão entre o número de partículas ou fótons detectados e o número de partículas ou fótons incidentes no detector. Diferente da eficiência absoluta, não sofre influência da geometria de medição utilizada, mas da dimensão da face do detector em que a radiação incide.


2.3. Detectores cintiladores de NaI(Tl)


Em 1948, Robert Hofstadter demonstrou que o cristal de iodeto de sódio (NaI), com tálio (Tl) como elemento ativador, produz emissão de luz de cintilação excepcionalmente intensa em comparação com os materiais orgânicos que já haviam sido estudados. Mais do que qualquer outro evento, tal descoberta inaugurou a era moderna da espectrometria por cintilação da radiação eletromagnética ionizante com energia discreta, sendo este cristal de cintilação ainda hoje frequentemente usado em espectrometria de fótons, apesar de décadas de pesquisas subsequentes com outros materiais de cintilação. (Knoll, 2000)

O número atômico relativamente alto do iodo (Z=53) e a massa específica do cristal (3,667 g/cm3) influenciam de forma significativa o efeito de absorção fotoelétrica, necessário para a máxima deposição de energia da radiação incidente, dando a este cristal boa eficiência de cintilação. A resposta em intensidade luminosa do cristal de NaI(Tl) é razoavelmente linear com a energia do elétron depositado, havendo uma pequena não proporcionalidade na faixa de 10 – 100 keV. Esta proporcionalidade permite relacionar a energia absorvida pelo cristal com a amplitude do sinal de corrente obtido com o detector, que por sua vez, está relacionado com a energia do fóton incidente.

O cristal de NaI(Tl) é higroscópico devendo ser mantido hermeticamente fechado revestido por material refletor, exceto na superfície do fotocatodo do tubo fotomultiplicador, reduzindo assim as perdas por reflexão e absorção nas superfícies laterais do cristal. Suas dimensões e forma influenciam na eficiência de cintilação para a função resposta do detector.

Nos detectores cintiladores de NaI(Tl), a cintilação produzida pela passagem de radiação ionizante precisa ser convertida em sinais elétricos para que se possa medir a energia depositada. Para tal, há a necessidade da presença do tubo fotomultiplicador. A estrutura básica de um tubo fotomultiplicador é apresentada na figura abaixo.



3. Espectrometria de fótons com cintilador


Os fótons não possuem carga ou massa sendo, portanto, radiação indiretamente ionizante e capaz de transferir toda ou parte de sua energia para os elétrons orbitais dos átomos do material. Esses elétrons têm energia máxima igual à energia do fóton incidente subtraída da sua energia de ligação e que depositarão essa energia por meio de ionizações e excitações no meio de interação.

Para que um material possa ser utilizado como detector e servir para a realização de espectrometria de energia para fótons, ele deve ser capaz de realizar a transferência de energia desses fótons para elétrons orbitais dos átomos da estrutura e funcionar como elemento de detecção dos elétrons secundários produzidos pelos fótons incidentes por meio da coleta dos elétrons liberados na ionização dos átomos do meio.


3.1. Resposta de detectores para as energias dos fótons incidentes


O espectro de energia de fótons de radiação gama ou raios X irá depender do tamanho, da forma, da composição do detector e também da geometria de irradiação. Para espectros de fótons com baixa energia, a função resposta do detector será influenciada pelo espalhamento Compton (componente contínuo) e pela interação por efeito fotoelétrico (componente discreto).

A função resposta do detector para o espectro de energia dos fótons incidentes, também pode ser afetada, tanto em seu componente contínuo quanto no componente discreto da função resposta do espectro de energia dos fótons incidentes em virtude dos seguintes mecanismos (Lima, 2006):
  • Formação de pico escape por elétrons secundários;
  • Ocorrência de bremnstrahlung;
  • Presença de raios X característicos e
  • Interações secundárias criadas por decaimento radioativo, como a influência dos materiais envoltórios.
A Figura abaixo apresenta o espectro decorrente de fótons com uma única energia esperado para um detector real onde os processos de interação citados acima estão representados.



O pico escape dos raios X característico se forma quando a absorção fotoelétrica ocorre próximo à superfície do detector, podendo ocorrer o escape do raio X característico gerado. Um novo pico surge na função resposta separado do fotopico, por uma diferença de energia igual a dos raios X característicos que escaparam.

Nos detectores cintiladores com cristal de NaI(Tl), ocorre a emissão de 2 (dois) raios X característicos em função da presença do iodo (I) no cristal. Estes raios X característicos possuem a energia de 28,6 keV (Kα ) e 33,2 keV (Kβ ) (Preedy et al, 2009). Normalmente, estas energias são absorvidas pelo cristal. Entretanto, se a energia do fóton incidente é baixa, a interação ocorre próximo à superfície do cristal e este fóton escapa. Como resultado, no espectro de função resposta do detector a uma fonte monoenergética com energia na faixa utilizada em raios X para diagnóstico, aparecerá um pico cuja energia corresponde à energia do fóton incidente menos a energia dos raios X característico do iodo, que normalmente são representadas no espectro como um único pico com energia média em torno de 28 keV, chamado pico escape do iodo.

Os detectores para serem usados em espectrometria são normalmente envolvidos por outro material, seja o material de seu encapsulamento, blindagem para redução de radiação de fundo (background) ou uso de colimadores na geometria de medição. Estes materiais podem ser fontes potenciais de radiação secundária e, se esta interagir com o detector, pode influenciar na forma da sua função resposta do espectro (Lima, 2006).


4. Outras tecnologias de cintiladores


Cintiladores com melhor resolução, como o brometo de lantânio, possuem FWHM menores resultando em fotopicos mais estreitos e, desta forma, possibilitam a descriminação de um maior número de energias e consequentemente uma melhor identificação de materiais radioativos.

Os cintiladores de brometo de lantânio (LaBr3:Ce) possuem uma resolução em energia significativamente melhor se comparado aos cintiladores de NaI(Tl). A resolução alcançada pelo cintilador de LaBr3:Ce para o fotopico da radiação gama emitida por uma fonte de 137Cs é de 2,7%, muito melhor que em um NaI(Tl) que possui uma resolução típica de 7% para esta energia.

Também em energias mais baixas e compatíveis com a faixa utilizada em radiologia diagnóstica como as dos fotopicos gama de 122,1 keV e 136,4 keV emitidos por uma fonte de 57Co há ganhos expressivos. A resolução do cintilador de LaBr3:Ce para o fotopico do gama de 122,1 keV é de 5,7%. A resolução dos cintiladores de NaI(Tl) não permite dissociar, no espectro obtido, os fotopicos das energias de 122,1 e 136,4 keV emitidos pela fonte de 57Co, eles são representados como um único fotopico (Fiorini, 2006).


5. Referência bibliográfica


FIORINI, C. et al, 2006, “Gamma-Ray Spectroscopy with LaBr3:Ce Scintillator Readout by a Silicon Drift Detector”, IEE Transaction on Nuclear Science, Vol 53, n°4, August.
KNOLL, G. F., 2000, Radiation Detection and Measurement – 3a edição, Ed. John Wiley&Sons Inc. , USA.
LIMA, C. A., 2006, Avaliação da Performance de Detectores Iodeto de Sódio NaI(Tl) em Centrais Nucleares – dissertação de mestrado, COPPE/UFRJ, RJ.
PREEDY, V. R., BURROW, G. N., WATSON, R. R., 2009, Comprehensive Handbook of Iodine Nutricional, Biochemical, Pathological and Therapeutic Aspects – Ed. Elsevier Inc. , San Diego – USA.



sábado, 24 de maio de 2014

Detecção de Fótons, radiações indiretamente ionizantes, por cintiladores


1. Introdução


A percepção da radiação, seja qualitativa ou quantitativa, só pode ser realizada com a ajuda de materiais ou instrumentos capazes de captar e registrar sua presença. A detecção é realizada pelo resultado produzido da interação da radiação com um meio sensível (detector). Em um sistema detector os detectores de radiação são os elementos ou dispositivos sensíveis a radiação ionizante utilizados para determinar a quantidade de radiação presente em um determinado meio de interesse. A integração entre um detector e um sistema de leitura (medidor), como um eletrômetro ou a embalagem de um detector é chamado de monitor de radiação.


2. Detectores cintiladores


A detecção de radiações ionizantes pela cintilação produzida em determinados materiais é uma das técnicas mais antigas registradas. Detectores baseados nestes materiais possuem elevada eficiência de cintilação, conversão linear da quantidade de energia em luz, tempo de decaimento da luminescência curto para a geração rápida de pulsos, meio transparente e índice de refração próximo ao do vidro permitindo o acoplamento do cristal com o tubo fotomultiplicador (Knoll, 2000).

Os tubos fotomultiplicadores são um passo essencial no desenvolvimento dos detectores cintiladores. Com a sua utilização, tornou-se possível a detecção de sinais luminosos de baixa intensidade em função da interação de pequeno número de fótons e a sua conversão em sinais elétricos, viabilizando seu uso em detecção de radiações ionizantes.

O mecanismo de cintilação em materiais inorgânicos depende dos estados de energia da rede cristalina do material. Num cristal cintilador puro, a energia da radiação incidente absorvida é cedida aos elétrons da banda de valência, sendo estes excitados para a banda de condução. Entre essas bandas existe uma faixa intermediária de energia chamada de banda proibida, na qual não há estados possíveis e, portanto, não se encontram elétrons. O retorno do elétron para a banda de valência com a emissão de um fóton representa um processo ineficiente de cintilação, pois as diferenças energéticas são tais que o fóton resultante possui uma energia muito alta e não se enquadra na faixa do visível. Como resultado desse processo, o cristal apresenta-se opaco à sua radiação de cintilação (Lima, 2006).

A adição de pequenas quantidades de impurezas ou material ativador (no caso do NaI é usado o Tálio) cria níveis de energia na banda proibida. Criados pelo elemento ativador na banda proibida, eles permitem a desexcitação de um elétron da banda de condução para a banda de valência, com a emissão de fótons com comprimento de onda (410 mm), o que corresponde à luz do espectro visível. O cristal é basicamente transparente para esses fótons, que assim alcançam o fotocatodo do tubo fotomultiplicador, que possui boa sensibilidade à cintilação dessa luz visível (Lima, 2006).

Os fótons não possuem carga ou massa sendo, portanto, radiação indiretamente ionizante e capas de transferir toda ou parte de sua energia para os elétrons orbitais dos átomos do material. Esses elétrons têm energia máxima igual à energia do fóton incidente subtraída da sua energia de ligação e que depositarão essa energia por meio de ionizações e excitações no meio de interação.

Para que um material possa ser utilizado como detector e servir para a realização de espectrometria de energia para fótons, ele deve ser capaz de realizar a transferência de energia desses fótons para elétrons orbitais dos átomos da estrutura e funcionar como elemento de detecção dos elétrons secundários produzidos pelos fótons incidentes por meio da coleta dos elétrons liberados na ionização dos átomos do meio.

Os detectores cintiladores como os de iodeto de sódio, surgido em 1948, possibilitam a composição de um sistema de espectrometria de fótons e consequentemente a medição de espectros de energia. O número atômico relativamente alto do iodo presente no cristal (Z=53) e sua massa específica (3,667 g/cm3) influenciam de forma significativa o efeito de absorção fotoelétrica, necessário para a máxima deposição de energia da radiação incidente, dando a este cristal boa eficiência de cintilação.

Os detectores cintiladores como os de iodeto de sódio, surgido em 1948, possibilitam a composição de um sistema de espectrometria de fótons e consequentemente a medição de espectros de energia. O número atômico relativamente alto do iodo presente no cristal (Z=53) e sua massa específica (3,667 g/cm3) influenciam de forma significativa o efeito de absorção fotoelétrica, necessário para a máxima deposição de energia da radiação incidente, dando a este cristal boa eficiência de cintilação.


2.1. Resolução em energia:

  • Relaciona-se com a capacidade do detector de cintilação em discriminar a energia de dois fótons emitidos com energias diferentes em seu volume útil. A resolução de um detector é determinante em sua capacidade de medir a distribuição de energia da radiação incidente e é convencionalmente definida como a razão entre a largura à meia altura do pico (FWHM) e o valor do canal central da distribuição do pico (H0).

2.2. Eficiência de detecção:

  • Caracteriza a capacidade do detector em registrar os fótons emitidos por uma fonte de radiação ou que incidem na superfície de um detector. O tamanho e a forma do cristal influenciam a eficiência de detecção, sendo que a espessura do cristal cintilador na direção da trajetória do fóton incidente tem maior influência. A eficiência de um detector pode ser classificada como absoluta e intrínseca.
  • A eficiência absoluta é dada pela razão entre o número de partículas ou fótons detectados e o número de partículas ou fótons emitidos pela fonte de radiação. Esta eficiência sofre influência da geometria de medição utilizada.
  • A eficiência intrínseca é dada pela razão entre o número de partículas ou fótons detectados e o número de partículas ou fótons incidentes no detector. Diferente da eficiência absoluta, não sofre influência da geometria de medição utilizada, mas da dimensão da face do detector em que a radiação incide.

O espectro de fótons obtidos através de detectores cintiladores permite identificar os eventos que influenciam na função resposta do cintilador, podendo ser discriminado neste espectro o fotopico, resultante das interações fotoelétricas no cristal cintilador, assim como as interações parciais de energia como pico de raios X característico, de retro espalhamento e escape ou ainda interação por espalhamento Compton, que influenciam no espectro de energia.

Cintiladores com melhor resolução, como o brometo de lantânio, possuem FWHM menores resultando em fotopicos mais estreitos e, desta forma, possibilitam o uso de maior número de energias para a definição do algoritmo de limpeza utilizado.



2.3. Identificadores radiológicos portáteis


Uma grande aplicação atual dos cintiladores inorgânicos é o seu uso como identificadores radiológicos portáteis para uso em segurança radiológica e nuclear.

Para a identificação inequívoca é importante utilizar um detector que exiba boa geometria do cristal, eficiência de detecção e boa resolução numa faixa de energia de até 3,0MeV.

Uma boa eficiência de detecção permitirá, através da aquisição do espectro gama, uma identificação mais rápida do(s) radionuclídeo(s) e a quantificação de valores mais baixos de atividade (quantificável através d Atividade Mínima Detectável, AMD).

Uma boa resolução permitirá resolver dois picos de energia próximos, correspondentes a radionuclídeos diferentes,permitindo a identificação dos mesmos. Uma resolução insuficiente impedirá a identificação dos radionuclídeos ou dará origem a uma falsa identificação.



3. Conclusão


A detecção de fótons, radiações indiretamente ionizantes, por detectores de cintilação em função de sua excelente eficiência e adequada resolução fazem do mesmo um detector de excelência destas radiações, não somente para as ações de monitoração mas também para a identificação de radionuclídeos em ambiente em que identificadores radiológicos portáteis são necessários.



Referência bibliográfica

KNOLL, G. F., 2000, Radiation Detection and Measurement – 3a edição, Ed. John Wiley&Sons Inc. , USA.

LIMA, C. A., 2006, Avaliação da Performance de Detectores Iodeto de Sódio NaI(Tl) em Centrais Nucleares – dissertação de mestrado, COPPE/UFRJ, RJ.



sábado, 17 de maio de 2014

Sofrimento e Dor: Este é o resultado do preconceito e intolerância religiosa

No Rio de Janeiro o juiz Eugenio Rosa de Araújo, da 17ª Vara Federal do Rio, argumentou que:

“manifestações religiosas afro-brasileiros não se constituem religião”.


E esta decisão ocorreu em função uma ação do MPF pedindo que fossem retirados do YouTube, pela Google Brasil, vídeos considerados ofensivos a umbanda e candomblé. Um dos vídeos mostra a entrevista de um "ex-macumbeiro, hoje liberto pelo poder de Deus".

O "brilhante e onipotente" juiz Eugenio Rosa de Araújo também entende como diz O DIA:

"há a necessidade de um texto base - uma Bíblia Sagrada, Torá ou Alcorão, por exemplo -, e ter uma estrutura hierárquica e um Deus a ser venerado."

Nesta afirmação publicada em o O DIA não é possível não destacar a ignorância demonstrada pelo "brilhante e onipotente" juiz pois nunca ouviu falar de OLORUM ou ZAMBI.

De uma tacada só o "brilhante e onipotente" juiz sapateia na religião de todos que não são católicos, protestantes, judeus e muçulmanos.

Não sou historiador que nem meu irmão Ricardo Oliveira mas todas estas religiões citadas pelo "brilhante e onipotente" juiz tem a mesma origem e desta forma ele excluiu todas as outras religiões do mundo.

Os lideres destas mesmas religiões citadas pelo "brilhante e onipotente" juiz jamais, repito jamais, tiveram tamanha demonstração de preconceito, intolerância ou ainda capacidade de ofensa que este ser preconceituoso demonstrou em sua decisão.

Este "brilhante e onipotente" juiz deve ter participado de algum coloquio com o Criador e desta forma pode definir os parâmetros finais para julgar o merecimento do título de religião.

E enquanto isso espiritas kardecistas, umbandista, praticantes do candomblé, budistas, hinduístas, praticantes de Seicho-no-ie .... tenham cuidado pois o "brilhante e onipotente" juiz acabou de dar um salvo conduto para qualquer um que queira nos ofender, humilhar, faltar com o respeito ou ainda agredir nossa fé.

Além disso legitimou o desrespeito a constituição brasileira que nos garante, como princípio constitucional, a LIBERDADE DE ESCOLHA RELIGIOSA.

Como destaquei acima não sou historiador e desta forma transcrevo a seguir texto de meu irmão Ricardo Oliveira, Doutor em História pela UNICAMP, sobre esta demonstração de preconceito não só com a umbanda e candomblé, mas com todas as religiões que não tem origem no judaísmo.

"Muito tenho lido sobre a decisão do Juiz Federal Eugênio Rosa de Araujo, que negou recurso contra a insana propaganda de neo pentecostais fanáticos contra as religiões de matriz afro brasileira.

Contudo, acho que as pessoas ainda não se deram conta da profundidade do preconceito contido ali.

Ao definir religião como necessariamente tendo um livro sagrado e o culto a um único deus, o magistrado expressa um preconceito muito maior. Para ele somente é religião o culto ao Deus sem nome de matriz judaica. Se por um lado admite que judeus, cristãos e muçulmanos adoram o mesmo Deus, coisa que os pentecostais não admitem, por outro transforma essa matriz em unica forma de religião possível.

Desta maneira, todas as religiões indígenas, todas as religiões asiáticas e africanas deixam de ser consideradas religião. Um preconceito muito maior, e muito mais grave.

Me entristece mais ainda que tal intolerância seja praticada por alguém ligado a uma Igreja protestante tradicional, que muito respeito sempre teve e continuará tendo da minha parte.

Como todos sabem, sou católico praticante. Entendo que o cristianismo tem uma dimensão prosélita que causa muita confusão, principalmente quando são esquecidos os ensinamentos de tolerância e respeito trazidos pelo próprio Jesus Cristo. Não cabe a nós julgar os outros, este papel cabe somente a Ele.

Para terminar essa decisão serve para ilustrar como uma decisão do judiciário pode ser política, mesmo quando usa argumentação tecnicista."

Esta ofensa e desrespeito a Constituição não pode cair no esquecimento.

As atitudes deste ser vão muito além do preconceito religioso que correntes protestantes, religião deste juiz, vem demonstrando contra os praticantes de outros credos.

A decisão desse juiz ameaça legitimar ações neofascistas que tanto mal já fizeram a humanidade.

Não se omitam, o preço da omissão nestes casos somente gera enorme sofrimento e dor.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Brasil, Ucrânia e Venezuela por que nossa imprensa nos trata tão diferente?

Caros depois de um bom tempo volto a escrever em meu blog e novamente faço a promessa que este ano será diferente. Pretendo escrever mais por aqui e fazer deste meu blog realmente uma ferramenta útil para divulgação de minhas opiniões sobre os assunto que afetam aos tecnólogos em radiologia principalmente, mas também sobre assuntos outros de grande influência em nosso dia a dia.

Vou me dar ao direito de como primeiro texto de 2014 falar sobre um assunto que vem me incomodando muito que é a forma como a nosso imprensa vem tratando as manifestações aqui no Brasil e a reação das pessoas a este posicionamento  da imprensa.

Hoje estava assistindo ao Bom Dia Brasil e vi a Globo chamar de MANIFESTAÇÕES a todas as ações de extrema violência que estão acontecendo na Ucrânia e na Venezuela.  Somente na Ucrânia quase 30 pessoas já morreram e nas imagens distribuídas pela própria emissora era assustador a quantidade de coquetéis molotov que os MANIFESTANTES, termo da emissora, tinham a sua disposição e na Venezuela as cenas não eram muito diferentes. 

Mas porque na Ucrânia e Venezuela são MANIFESTANTES E MANIFESTAÇÕES e aqui no Brasil são VÂNDALOS, ARRUACEIROS E CRIMINOSOS?

Por quê aqui a polícia é incentivada a dar porrada em todo mundo e está tudo bem? 

Por quê nossos motivos de protesto e reivindicações não são ouvidos e considerados?

Por quê não querer tanto desperdício de dinheiro numa copa é tão ofensivo? 

Por quê o poder tem tanto medo de manifestações sem lideranças corruptas ou financiadas por quem detêm o capital?  

Caros já passou da hora de parar de ficar engolindo este monte de porcaria que as empresas de comunicação estão nos empurrando goela abaixo sem refletir.

Pare e pense no que está acontecendo neste país e a maioria de nós por preguiça ou covardia não está querendo ver.

Mais uma vez estamos sendo conduzidos para o abatedouro que nem gado. 

Até quando?

domingo, 1 de setembro de 2013

Resoluções CNEN 144/2013 e 146/2013. Será que isto lhe diz respeito, caro Tecnólogo em Radiologia?

Caros colegas tecnólogos em radiologia hoje resolvi escrever sobre estas duas resoluções publicadas pela CNEN em abril deste ano e sobre como elas afetam, e muito, a nossa vida profissional.

Infelizmente acredito que novamente, poucos colegas saibam qual o teor destas resoluções e desta forma é necessário que se faça um pequeno histórico do contexto em que elas estão inseridas.

Os tecnólogos em radiologia nos últimos anos tem na função de RIA - Responsável por Instalação Aberta, a sua grande porta de entrada na área de indústria, pois sua formação diferenciada fazia com que esta função se encaixasse como uma luva no seu perfil.

O RIA era o profissional responsável por todas as ações de proteção radiológica in loco para que a atividade de ensaio não destrutivo (END) por radiação gama ou raios X fossem executas com segurança.

Eu disse fazia, pois a partir das resoluções CNEN 144 e 146 a função de RIA não existe mais e não foi somente isto que estas duas resoluções mudaram.

A resolução 144/2013 determina que todas as funções até então exercidas pelo RIA sejam executadas pelo operador de radiografia industrial II que esta resolução criou.

O grande problema é os tecnólogos em radiologia não podem ser operadores de radiografia industrial, pois esta função necessita de uma certificação dada pela ABENDI - Associação Brasileira de Ensaios Não destrutivos e Inspeção. E a ABENDI exige uma formação técnica específica que não permite que os tecnólogos a exerçam.

A resolução 144/2013 em seu artigo 17° determina que todos os RIAs passem automaticamente para a função de operador de radiografia industrial II, mas cabe uma pergunta como isto pode ser uma vez que os mesmos não possuem a certificação da ABENDI?

Mas nem tudo são trevas, a resolução 146 alterou de forma significativa as exigências para se obter a certificação dos supervisores de radioproteção. Agora em seu artigo 4° está explicito:

O candidato deve possuir diploma de curso de nível superior de graduação (Bacharel, Tecnólogo ou Licenciado) reconhecido pelo Ministério da Educação, nas áreas biomédica, científica ou tecnológica.

Isto acaba de forma definitiva com as dúvidas de alguns se o tecnólogo em radiologia podia ou não ser um supervisor de radioproteção. Além disso esta resolução 146/2013 desmembra as áreas até então existentes em 22 novas áreas, criando assim a necessidade de novos supervisores de radioproteção.

Como procurei demonstrar neste texto as resoluções 144/2013 e 146/2013 nos afetam muito e merecem nossa maior atenção. Os desdobramentos que virão precisam de nossa participação e ciência.

Costumo sempre dizer que o profissional que não participa das decisões que o afetam permite sempre que outros o façam a sua revelia. Espero que não cometamos este enorme erro.

Até a próxima.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Segurança radiológica, o que é e porque a capacitação é indispensável.

Após um período usando este espaço para comentar sobre o importante momento que nosso país está vivendo com as manifestações e reivindicações das ruas, volto a usar este espaço para falar sobre um tema, apesar de bastante atual para os tecnólogos em radiologia, pouco conhecido  pelos mesmos.

O Rio de Janeiro desde 2007 tem abrigado a realização de grandes eventos sejam esportivos, políticos ou religiosos. Deste ano para cá já foram realizados em nossa cidade os Jogos Pan americanos (2007), os Jogos Mundiais Militares (2011), a Rio+20 (2012) e somente este ano a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude.

O que muitos não sabiam é que em todos estes eventos ocorreram ações de segurança radiológica tanto para as autoridades e atletas presentes como para o público que participou dos mesmos.

Mas o que é segurança radiológica e por que ela é feita?

Segurança radiológica em grandes eventos são um conjunto de ações de medição e identificação de agentes radiológicos realizadas antes e durante a realização destes eventos. Ela visa identificar a presença de um RDD (dispositivo de dispersão radiológico) ou como é mais conhecido uma bomba suja. Estas ações também possibilitam a identificação de um RED (dispositivo de exposição radiológica) neste caso não há explosivo associado.

As ações de segurança radiológica quando realizadas antes do evento buscam identificar se algum material RDD foi colocado no local e chamamos de varredura. Durante a realização do evento se faz controle da entrada buscando localizar o transito de um RDD e identificar o agente radiológico utilizado.

Para realizar estas atividades é necessário que os profissionais envolvidos tenham conhecimento do processo de mensuração e identificação dos agentes radiológicos envolvidos. É necessário que seja de conhecimento dos mesmos os vários tipos de radiação ionizante e o seu processo de interação da radiação com a matéria, pois a especificação adequada dos instrumentos de medição e identificação dos agentes está diretamente relacionada com este conhecimento.

Por exemplo é preciso que este profissionais saibam que estão medindo radiação gama, pois terão que fazer esta identificação distante do material radioativo e o fato da radiação gama ser indiretamente ionizante e portanto com grande alcance, possibilita o uso de detectores em estado sólido que são  ideais para um processo de identificação destes agentes radiológicos.

Além disso é necessário o conhecimento do tipo e tamanho de cristal utilizado nos identificadores pois isto influencia diretamente na capacidade de identificação destes instrumentos.

Este trabalho normalmente é feito pela CNEN e organizações militares do ministério da defesa que são órgãos bastante especializados do governo federal. E como normalmente acontece no governo há falta de pessoal capacitado.

A capacitação para o exercício desta função é primordial e essencial pelos fatos apresentados aqui.

Atuar nesta área exige que o profissional seja graduado em uma área afim a este conhecimento ou ainda que possua pós graduação.

E este fato torna a área de segurança radiológica particularmente interessante para o tecnólogo em radiologia. Faz parte da formação acadêmica do tecnólogo em radiologia a oferta de disciplinas que lhe permitem adquirir o conhecimento necessário para atuação nesta área. 

Além disso lhe possibilita alcançar um desempenho mais que satisfatório no curso de pós graduação em Radioproteção e Segurança que é oferecido no IRD/CNEN ou ainda numa pós graduação strictu sensu (mestrado ou doutorado).

O Brasil sediará uma Copa do Mundo em 2014 com 13 sedes. O Rio de Janeiro sediará uma Olimpíada em 2016. A segurança radiológica fará parte destes eventos, das 13 sedes da copa do mundo com seus estádios e aeroportos  e haverá necessidade de pessoas com capacitação para atuar nestes eventos.

Caros colegas tecnólogos tenho batido muito no tema da ambição do tecnólogo em radiologia e vejo estes temas muito interligados. Tenhamos a ambição e determinação para buscar este espaço, pois se não o fizermos outro profissional o fará.

Até a próxima.