sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Energia nuclear. Ainda é um demônio?

Caros amigos espero que 2015 seja um ano muito  para todos nós. Resolvi retomar meus escritos aqui no Blog com um tema que está me chamando bastante atenção, o fato de termos que escolher se geramos energia ou se economizamos água para beber.  Com este dilema que fez parte de uma entrevista que assisti hoje em um programa de televisão, me senti motivado a escrever este artigo. Espero com ele motivar as pessoas a falarem sobre este tema tão atual que é por que não gerarmos energia através de usinas nucleares.

Há algum tempo quando em minhas aulas tenho que falar sobre a geração de energia elétrica por usinas nucleares uso o texto a seguir como uma introdução a este assunto que é mais atual do que nunca.

"A energia nuclear é uma das formas de se obter energia elétrica em larga escala. Com o esgotamento dos recursos hídricos próximos aos principais centros consumidores, com as dificuldades de licenciamentos ambientais para o aproveitamento das matérias primas remanescentes e o constante crescimento da demanda de energia, a participação da energia nuclear na produção de energia elétrica é fundamental na medida em que contribui para a melhoria na qualidade de vida da população e para o desenvolvimento econômico do pais." 

Neste mês de janeiro de 2015 foi noticiado que a usina hidroelétrica localizada no rio Paraíba do Sul teve que ser desativada, pois não há água suficiente no rio para gerar energia e manter o abastecimento de água ao estado do Rio de Janeiro.

Passei boa parte de minha vida escutando a falácia de que a nossa matriz energética apoiada em nossos recursos hídricos era estável e segura, pois água era um recurso que tínhamos de sobra e assim os governos civis que vieram a partir dos anos 80, com todo o apoio de ambientalistas sem noção, fizeram a população crer que não precisávamos de energia nuclear.

Como todos sabiam que Deus era brasileiro, nossos recursos hídricos nos dariam tempo suficiente para que acreditássemos em outra falácia que as energias solares, eólicas, das marés (esta então é de doer) iriam adquirir tecnologia suficiente para fornecer a energia supostamente limpa que iríamos precisar e de quebra nos ajudaria a nos livrar do uso das nossas usinas termoelétricas. Para quem não sabe usinas termoelétricas queimam combustíveis fósseis (carvão, óleo, gás ...) para gerar energia e são de longe as mais poluentes do mundo.

Antes de falar sobre a energia nuclear é bom esclarecer que as energias solares, eólicas e das marés necessitam que a energia gerada seja acumulada em baterias para garantir um abastecimento minimamente contínuo e que toda bateria é um grande celeiro de metais pesados altamente poluente. Também para garantir este abastecimento minimamente contínuo deve-se ter um aporte de gás para estas usinas, pois a população não pode ficar sem energia porque não tem sol ou não tem vento ou ainda a maré está baixa.

Mas vamos a nossa energia nuclear. A maior vantagem ambiental da geração elétrica através de usinas nucleares é a não utilização de combustíveis fosseis, evitando o lançamento na atmosfera dos gases responsáveis pelo aumento do aquecimento global e outros produtos tóxicos. Usinas nucleares ocupam áreas relativamente pequenas, podem ser instaladas próximas aos centros consumidores e não dependem de fatores climáticos (chuva, vento, etc.) para o seu funcionamento.

Reatores nucleares são instalações que utilizam a reação nuclear de fissão em cadeia, de forma controlada, para a produção de energia ou de fluxo de nêutrons. Mas o que é fissão nuclear?

Fissão nuclear - é a quebra de um núcleo atômico pesado e instável através de bombardeamento desse núcleo com nêutrons moderados, originando dois núcleos atômicos médios, mais 2 ou 3 nêutrons e uma quantidade de energia enorme (+/- 200MeV).


A geração de energia elétrica por usinas nucleares nos traz grandes vantagens como: não libera gases que vão aquecer a atmosfera, o Brasil possui grande disponibilidade de combustível, a geração de energia por quantidade de material nuclear é assombrosa (um volume de urânio equivalente a uma bola de tênis e capaz de gerar tanta energia quanto um prédio de 5 andares repletos de gasolina), a quantidade de resíduos gerados é pequena e tem independência de fatores climáticos. Como desvantagem sempre é mencionado o risco de acidentes nucleares e possível contaminação de rios e/ou mares pelo uso de sua água.


Na figura anterior apresento um esquema de um reator nuclear do tipo PWR (usa água pressurizada) que é o sistema adotado no Brasil. A água do mar, no caso brasileiro, é utilizada no sistema de água de refrigeração ou circuito terciário de um reator e como pode ser observado este circuito está localizado fora do prédio do reator e em nenhum momento esta água entra em contato com qualquer material ou água contaminada (circuito primário).

E quanto ao risco de acidentes é bom que se saiba que não há um registro, que eu conheça, de acidentes na França onde mais de 80% de sua emergia é gerada em usinas nucleares. Nos EUA o acidente que merece registro, usina de Three Mile Island - 1979, teve seus efeitos todos contidos no prédio do reator. Além disso gerou lições aprendidas que foram aplicadas nos projetos de usinas que vieram, evitando um novo acidente deste tipo.

Mas Chernobyl e Fukushima? 

Chernobyl era um modelo de reator nuclear somente usado nas antigas repúblicas soviéticas sem as imposições de segurança dos reatores do ocidente e mesmo assim somente ocorreu a explosão química e liberação de material radioativo por erro humano na operação. Se os operadores não tivessem deliberadamente desligado os sistemas de segurança este acidente não teria ocorrido.

E quanto a Fukushima? 

Em Fukushima ocorreu um dos maiores terremotos da história seguido de uma das maiores tsunami da história. E mesmo assim somente a água da piscina de um dos reatores nucleares vazou para o meio ambiente.

Quando falo nisso sempre proponho um exercício de imaginação, se o terremoto seguido de tsunami acontece no Paraná e abalasse Itaipu quantos teriam morrido?

O programa nuclear brasileiro em sua origem (década de 70) já chegou a prever a construção de 9 usinas nucleares. Três na região sudeste, três na região nordeste e mais três na região centro-oeste. No final da década de 80 este planejamento foi jogado fora. Quando houve a sequencia de apagões no governo FHC, por falta d’água nas nossas hidroelétricas, voltamos a discutir a importância de se ter usinas nucleares na região nordeste. Mas choveu e os ambientalistas nas suas salas com ar condicionado e água gelada, desenvolveram uma bela campanha e sepultaram esta ideia. Hoje ainda não conseguimos se quer terminar Angra 3.

Mas e agora José? A água não veio. Estamos usando água de subsolo para beber. Água que deveríamos estar guardando para os nossos netos usarem. 

E neste mês de janeiro de 2015 com sensação térmica de 55 graus no Rio de Janeiro e tendo que começar a pensar ou se bebe água ou gera energia, sinto falta das entrevistas dos grandes ambientalistas que tanto marretaram a energia nuclear com suas soluções miraculosas para resolver este dilema.

Caros encerro lhes deixando a pergunta inicial: 

Energia nuclear. Ainda é um demônio?



sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

AVISO SOBRE OS CERTIFICADOS DOS PARTICIPANTES DA I JORNADA DE TECNÓLOGOS E TÉCNICOS EM RADIOLOGIA CAMPUS NOVA IGUAÇU DA UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

  


Caros Participantes,


Por motivos além do controle da Coordenação do Evento não pudemos cumprir o planejamento de enviar os certificados até 31 de dezembro.


Os certificados serão enviados até o final de janeiro de 2015.
Pedimos desculpas por este atraso.


Um 2015 muito bom para todos.



   

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Inscrição para a I Jornada de Tecnólogos e Técnicos em Radiologia Campus Nova Iguaçu

Caros estou disponibilizando abaixo o link para a realização da inscrição na I JORNADA DE TECNÓLOGOS E TÉCNICOS EM RADIOLOGIA CAMPUS NOVA IGUAÇU que ocorrerá nos dias 10 e 11 de dezembro de 2014 a partir das 19:00 h. 

Dada a limitação em nosso espaço físico, destinamos 50 VAGAS para quem não é aluno da Universidade Estácio de Sá. Neste caso ao realizar a inscrição no campo "INFORME SUA MATRÍCULA" coloque  o número de um documento e uma sigla que o identifique (cart. de identidade, CPF ...).

Para os alunos do Curso de Tecnólogo ou PRONATEC em Radiologia preencham TODO o formulário de forma correta para que sua inscrição seja efetuada.

AQUI ESTÁ O LINK PARA INSCRIÇÃO

Faça logo a sua inscrição neste grande evento. Não corra o risco de ficar de fora.

Até lá.

sábado, 15 de novembro de 2014

I Jornada de Tecnólogos e Técnicos em Radiologia do campus Nova Iguaçu


Caros no mês de dezembro de 2014 nos dias 10 e 11 ocorrerá a I Jornada de Tecnólogos e Técnicos em Radiologia do campus Nova Iguaçu da Universidade Estácio de Sá. Horário das 19:00 as 22:00.

Será um evento que contará com palestras das diversas áreas de atuação dos Tecnólogos e Técnicos e Radiologia. Além do ganho em informação e aprendizagem os alunos da Universidade ganharão horas de atividades complementares que são necessárias para sua formação.

Segue a baixo as palestras e os palestrantes por dia de evento:


Dia 10/11/2014

  • Reatores Nucleares e Tecnologia de Combustíveis. Palestrante: Mike Bourguignon de Azevedo (Graduando em Tecnologia em Radiologia)

  • Aplicações da Tomografia Cone Beam em Reconstruções Faciais. Palestrante: TnR Fabrício Faeda (Pós graduado em Anatomia, Professor do CST em Radiologia da UNESA)

  • Mamografia 3D: A evolução. Palestrante: TnR Viviane Martins (Pós graduada em Anatomia)
  • Proteção Radiológica e Dosimetria. Palestrante TnR Luciano Santa Rita (Mestre em Radioproteção e Dosimetria, Professor do CST em Radiologia da UNESA)



Dia 11/11/2014

  • Ações Farmacológicas e Químicas na  Descontaminação Interna de Pessoas e de Ambiente. Palestrante: Samir Frontino Almeida Cavalcante - Pesquisador do CTEx (Mestre e Doutorando em Química Orgânica - UFRJ)
  • Controle de Qualidade em Radioterapia. Palestrante: Cláudio Viegas - Coordenador do CST em Radiologia da UNESA campus Nova Iguaçu (Mestre e Doutorando em Física)
  • Atuação do Tecnólogo em Radiologia em Cargos de Nível Superior. Palestrante: TnR Alexandre Gomes (Coordenador do Curso Técnico em Segurança do Trabalho do Colégio Bezerra de Araújo)
  • Cuidados nos Atendimentos de Pacientes Politraumatizados nos Serviços de Emergência Radiológica. Palestrante: Marco Aurélio (Mestre em Ciência da Motricidade Humana, Professor do CST em Radiologia da UNESA)

Caros não deixem passar esta oportunidade. Principalmente os graduandos em Tecnologia em radiologia e os alunos PRONATEC da UNESA compus Nova Iguaçu.

Até lá.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Concurso público para UERJ na Área de Tecnologia em Radiologia

  
Caros estou aproveitando meu espaço no Blog para divulgar o concurso para cargo de técnico universitário divulgado pela UERJ.

O período de inscrição on line será de 13/11/2014 a 12/12/2014.

Neste  LINK  você pode fazer sua inscrição e obter o edital.

Boa Sorte 

  

domingo, 12 de outubro de 2014

Medidores Nucleares

Os métodos de produção modernos, sobretudo os automáticos, devem ser submetidos a uma constante vigilância para se assegurar a qualidade dos produtos e controlar o processo de produção. 

Esse tipo de vigilância, em muitos casos, é feito com dispositivos de controle de qualidade que empregam as propriedades das radiações ionizantes conhecidos pela denominação genérica de medidores nucleares. 

Medidores nucleares empregam fontes seladas, isto é, fontes cujo radioisótopo está encapsulado, ou seja, contido em um invólucro ou cápsula selada. A mesma permanece armazenada num irradiador que serve de porta fonte e blindagem além de colimar e obturar o feixe de radiação.  Os medidores nucleares não necessitam estar em contato com o material que se examina e, portanto, podem ser utilizados para controlar processos de alta velocidade, materiais com temperaturas extremas ou propriedades químicas nocivas, materiais suscetíveis a danos por contato e produtos envasados. (Rocha, 2005)

A figura abaixo mostra a esquerda o encapsulamento do material radioativo utilizado e a direita uma representação de corte de um irradiador típico de medidores nucleares com obturador fechado (a) e aberto (b). A parte hachurada representa material de blindagem. Deve ser lembrado que as fontes radioativas utilizadas em medidores nucleares possuem atividade que as classificam como fontes categoria 3  (fontes perigosas: possuem quantidade de material radioativo pode causar lesões permanentes em exposições com duração de algumas horas.) em relação a escala a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).


Em função do processo de interação da radiação antes de chegar ao detector, os medidores podem ser classificados em três categorias:
  • Medidores de transmissão
  • Medidores de retrodispersão ou retroespalhamento
  • Medidores reativos


Medidores de Transmissão

Nos medidores de transmissão a fonte radioativa e o detector de radiação estão situados em lados opostos do material. A radiação é atenuada ao atravessar o material e o detector mede a intensidade da radiação transmitida. Se a radiação atravessar um material mais denso, seu grau de atenuação será maior e a intensidade transmitida diminuirá. 

A figura abaixo mostra um medidor de transmissão verificando materiais de densidade respectivamente baixa (a) e alta (b). (Rocha, 2005)



Medidores de Retrodispersão ou Retroespalhamento

Nos medidores de retrodispersão ou retroespalhamento a fonte radioativa e o detector estão situados no mesmo lado em relação ao material. O detector é protegido contra a radiação primária. A radiação penetra o material e interage com seus átomos e moléculas. O detector mede as radiações secundárias que se retrodispersam a partir da interação. Se houver geometria constante, indicará a densidade e se a densidade for constante, indicará a espessura do material. 
A figura abaixo mostra medidor de retrodispersão verificando materiais de densidades, respectivamente, (a) baixa e alta (b). (Rocha, 2005)



Medidores Reativos

Nos medidores reativos a principal aplicação análise de hidrocarbonetos em rocha e prospecção de petróleo, diferenciando camadas petrolíferas de aquíferos salinos pela determinação de cloro. Outro uso destes medidores é a fluorescência, a partir de fonte gama e raios X de baixa energia, em solos para a identificação e determinação de elementos de baixo Z, médio Z e alto Z em função do tipo de fonte utilizada. Possibilitando a analise de elementos constituintes de minerais assim como a espessura de camadas de substratos de materiais distintos. (Rocha, 2005)

Exemplo de medidor reativo


Nêutrons lentos são capturados por núcleos de átomos presentes no material que emitem raios gama de alta energia característicos o que permite que se estabeleçam suas quantidades relativas. Essa propriedade é usada, por exemplo, na determinação da concentração de cloro durante a perfilagem de poços de petróleo, de modo que se possam diferenciar camadas petrolíferas de aquíferos salinos.


Outra Classificação de Medidores Nucleares


Medidores de Espessura

Na produção contínua de materiais na forma de lâminas ou folhas, apresenta-se a necessidade de medir, durante o próprio processo de fabricação, a espessura ou massa por unidade de superfície com que vão sendo manufaturados tais materiais. Essa medição pode ter um duplo propósito: controlar a qualidade do produto e servir de base para a regulação automática do processo. os medidores nucleares de espessura medem, na realidade, o peso por unidade de superfície dos materiais. Quando a densidade do produto é constante, a relação entre a espessura e o peso por unidade de superfície também permanece constante. (Rocha, 2005)


Medidores de Nível

Os medidores nucleares de nível são aplicáveis a materiais líquidos, pastosos ou na forma de sólidos granulados. O fato de operarem sem contato com produtos contidos em reservatórios os torna especialmente recomendados quando as características físico-químicas (pressão, temperatura, viscosidade, corrosividade ou poder abrasivo) dificultam ou excluem o emprego dos sistemas clássicos de medição.A medição nuclear apresenta também vantagens nos casos em que, por qualquer razão, a montagem do sistema deve ser realizada sem interrupção dos processos em andamento e sem interferências com as instalações já existentes. Os indicadores de nível baseiam-se no método de transmissão ou de retroespalhamento. (Rocha, 2005)


Medidores de Fluxo

A determinação do fluxo de material sólido a granel, em esteiras transportadoras ou em queda livre, é particularmente interessante na indústria química, de papel e celulose, de mineração e de alimentos. Através do método de transmissão, pode-se determinar instantaneamente a partir da determinação da massa por unidade de área do material e da velocidade de deslocamento do material. Tais equipamentos também são denominados de balanças nucleares. Uma fonte gama é instalada acima da esteira e um detetor alongado (câmara de ionização ou detetor de cintilação), abaixo dela. Observa-se que o feixe de radiação abrange toda seção transversal do material na esteira.

Caros em meu site Proteção e Segurança Radiológica disponibilizo uma página sobre Medidores Nucleares em que apresento com mais informações esta área da Radiologia Industrial, que considero muito promissora para os Tecnólogos Radiologia.


sábado, 4 de outubro de 2014

Escâneres Industriais

O Rio de Janeiro desde 2007 tem abrigado a realização de grandes eventos sejam esportivos, políticos ou religiosos. Deste ano para cá já foram realizados em nossa cidade os Jogos Pan americanos (2007), os Jogos Mundiais Militares (2011), a Rio+20 (2012), Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude (2013) e este ano a Copa do Mundo (2014). Estamos acostumados com uso de detectores de metais, sejam fixos ou portáteis, nestes eventos. Mas tal qual ocorre em aeroportos e portos o uso de escâneres de bagagem ou corporais que fazem uso da emissão de raios X (radiação eletromagnética ionizante) só faz crescer.  

A partir do aumento de seu uso cabe algumas reflexões:
  • Como estes equipamentos funcionam?
  • Como são a segurança radiológica destes equipamentos?
  • Qual a capacitação exigida para os operadores?
  • Qual a capacitação dos responsáveis?
  • Eles podem provocar algum dano na população?


Como podemos observar são vários questionamentos que merecem uma resposta adequada. Existem essencialmente dois tipos de escâneres: passivos e ativos. Passivos são aqueles que usam radiação natural emitida pelo homem para produzir as imagens, e os ativos são aqueles para geração de imagens de pessoas irradiadas com fontes de radiação externa. Em todos os casos a radiação utilizada é a electromagnética, a única mudança, dependendo da tecnologia utilizada, é o comprimento de onda, que é inversamente proporcional à energia.

Nos sistemas de comprimento de onda na faixa do infravermelho, a radiação é transmitido por duas antenas, que giram simultaneamente ao redor do corpo. A energia da onda refletida pelo corpo ou objetos mesmo é usado para construir a imagem.

Quanto os escâneres de raios X para inspeção pessoal, existem três tipos: 
  • sistemas de retrodispersão, assim chamado porque trabalham com a radiação dispersa pelo corpo humano a 180 °; 
  • sistemas de transmissão, que utilizam a radiação que passou através do corpo humano, e
  • um terceiro tipo, que é uma combinação dos outros dois.

Os escâneres de radiação não ionizante e os de raios X de retrodispersão permitem apenas visualizar objetos sob a roupa, enquanto que os escâneres de raios X de transmissão permitem que você veja no interior do corpo humano como ocorre com os equipamentos de raios X médicos. Se a pessoa tem uma arma sob o casaco, os equipamentos de raios X de retroespalhamento ou o de ondas milimétricas irá detectá-lo, mas se você tiver engolido um saco cheio de explosivos que espera detonar durante o vôo em um ato de autoimolação, não. Para detectar esses tipos de objectos é necessário usar um equipamento de raios X de transmissão.

Os efeitos biológicos das radiações não ionizantes podem ser térmicos ou atérmicos. Entre os primeiros, estão altas energias recebidas estão a deterioração ou perda da visão e da fertilidade. Entre estes últimos, têm sido relatados (mas não há suficientes estudos epidemiológicos que corroboram) distúrbios endócrinos, malformações congênitas, alterações de caráter e câncer.

Os efeitos nocivos sobre a saúde humana pela radiação ionizante, são mais conhecidos, uma vez que os raios X tem sido usados para fins médicos e industriais desde sua descoberta por Roentgen em 1896. O dano a nível celular ocorre de forma indireta através de formação de radicais livres na água que rodeia as células, e também diretamente quebrando moléculas ligadas ao ácido desoxirribonucleico (ADN). Se as células são somáticas podem causar danos, como o câncer, se as células são genéticas podem gerar efeitos hereditários. Em altas doses, não há dúvida quanto aos efeitos produzidos pela radiação ionizante (chamados determinísticos). O problema ocorre quando as doses são baixas. Nestes níveis o que se afirma é que existe uma probabilidade de se produzir algum efeito nocivo, por esta razão esses efeitos são chamados estocásticos.

Outro efeito sobre a saúde causado pelos escâneres (de qualquer tipo) para o controle de viajantes é psicológico. Os escâneres de radiação não ionizante e os de raios X de retrodispersão revelam as partes mais íntimas do corpo humano; as pessoas aparecem nuas na tela. É essa invasão a privacidade a razão fundamental por que é difícil nos Estados Unidos instalar tais equipamentos nos aeroportos (forçando inspetores a ver imagens em uma sala separa dos equipamentos de inspeção) e que força os fabricantes a desenvolver filtros que escondem as partes íntimas.

Hoje para operar escâneres pessoais no Brasil deve-se atender a uma norma da ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil que qualifica o profissional como "Operador especializado em raios X" e as exigências a serem atendidas são:
  • estar capacitado como Agente de Proteção da Aviação Civil, através da conclusão com aproveitamento do curso Básico em Segurança da Aviação Civil e aprovação em Exame de Certificação da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil);
  • apresentar vínculo empregatício concedido pela organização a que pertence, ou termo de compromisso de contratação expedido por empresa aérea, administração aeroportuária, empresa concessionária ou ESATA (Empresas de Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo);
  • apresentar verificação de antecedentes criminais;
  • ter curso de operador especializado em raios X com carga horária de 28 h.

A grande pergunta que se deve fazer é como com um curso de apenas 28 h se conseguirá capacitar um profissional para operar com a destreza necessária equipamentos com este grau de tecnologia e mais ainda, onde o conhecimento em uma área tão específica como imagenologia e proteção radiológica  são indispensáveis para o reconhecimento dos objetos analisados.

Caros em meu site Proteção e Segurança Radiológica disponibilizo uma página sobre Escâner Industriais em que apresento com mais informações esta área da Radiologia Industrial, que considero muito promissora para os Tecnólogos Radiologia.


Textos usados como referência:
Efectos sobre la salud del uso del escáner para el controle de viajeros  e La necesidad de regulamentar el uso de los sistemas de inspección personal e carga que utilizam radiaciones ionizantes; Autor:  Caridad Borrás Amoedo pertencente ao grupo de Dosimetria e Instrumentación Nuclear do Departamento de Energia Nuclear da Universidade Federal de Pernambuco.